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Para um casamento, a página traz uma quadra (estrofe de quatro versos) de Francisco Otaviano que, segundo um estudante de direito, ainda estava escrita numa parede em 1858.
Os versos servem ao altar porque contam a espera: a manhã inteira da vida gasta em sonhar com uma pessoa.
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Oh! Se te amei! Toda a manhã da vida Gastei em sonhos, que de ti falavam; Nas estrelas do céu lia o teu nome, Ouvia-te nas brisas que passavam.
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Francisco Otaviano de Almeida Rosa, abertura de poema citada por Couto de Magalhães na Revista Acadêmica, 1859.
Em prosa: ah, se eu te amei! Gastei a manhã inteira da vida em sonhos que falavam de ti; lia o teu nome nas estrelas do céu e te ouvia nas brisas que passavam.
A manhã da vida é a mocidade. O “Oh!” do começo é suspiro, e o “Se te amei!” vale por “quanto te amei”.
A parede da Rua do Ouvidor
Couto de Magalhães, formado em direito em São Paulo em 1859, deixou o testemunho na Revista Acadêmica daquele ano: “Numa casa da rua do Ouvidor, desta cidade, existia, ainda o ano passado, escrita na parede, uma bela poesia deste escritor, que começa assim”.
Ainda o ano passado quer dizer 1858. O relato não conta quem copiou os versos na parede, nem se a quadra resistiu à pintura seguinte da casa.
A rima de quatro versos
A quadra repete o desenho de Ilusões da Vida: o primeiro e o terceiro versos ficam sem rima, e o segundo rima com o quarto, falavam e passavam. Os dois verbos estão no pretérito imperfeito, o tempo do hábito, do que se repetia todo dia.
A noiva do Correio Mercantil
A quadra não diz a quem fala, e o relato de 1859 também não. Em novembro de 1854, Otaviano casou com Eponina Alves Branco Muniz Barreto, de dezessete anos, filha de Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, dono do Correio Mercantil, jornal onde o noivo já trabalhava.
Ela ficou conhecida como Eponina Otaviano, e o casal teve seis filhos: Jarbas, Alice, Eduardo, Violeta, Álvaro e Benjamim.
Anos depois, Machado de Assis lembrou numa crônica as noites na casa do Cosme Velho, passadas entre os livros, e a dona da casa na mesma sala, “ainda elegante, a despeito dos anos”.
Por que funciona no altar
No altar, a quadra conta a espera que vem antes do sim.
• O corte: os quatro versos inteiros, sem tirar nenhum.
• O tom: de confissão, com o “Oh!” dito baixo.
• O leitor: um dos noivos, nos votos ou no brinde da festa.
Na hora de ler
Faça uma pausa depois de “Oh! Se te amei!” e só então siga para “Toda a manhã da vida”. No terceiro verso, olhe para quem casa com você ao dizer “o teu nome”.
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