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Num casamento, a casa cede a página a Olavo Bilac, um dos alvos favoritos de Bananére, que publicou o soneto Ora (direis) ouvir estrelas em 1888, no livro Poesias.
O terceto serve ao altar porque diz que só quem ama escuta o que os outros chamam de loucura.
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E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas."
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Olavo Bilac, soneto XIII de Via Láctea, Poesias, 1888.
Terceto é a estrofe de três versos que encerra o soneto. O de Bilac responde a uma acusação feita logo no primeiro verso: alguém diz ao poeta que ele perdeu o senso por conversar com as estrelas.
Via Láctea é a sequência de 35 sonetos de amor que abre Poesias. O décimo terceiro virou o mais famoso, recitado em sarau e copiado à mão em álbum de moça por décadas.
O poema funciona como diálogo. Nos quartetos, o poeta conta que fica a noite em claro falando com as estrelas; nos tercetos, o interlocutor pergunta o que elas dizem, e a resposta vem nos versos acima.
Vos e direi soam antigos. Vós é a segunda pessoa do plural, o tratamento formal da época, que hoje se diz vocês.
Bananére reescreveu o soneto em La Divina Increnca. Na versão do Brás, o amigo chama o poeta de maluco logo de saída, e as estrelas viram assunto de barbearia.
A paródia só funcionava porque o original estava na boca de todos. Rir de Bilac em 1915 era rir do poeta mais celebrado do país, que dois anos antes recebera da revista Fon-Fon o título de Príncipe dos Poetas Brasileiros.
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1865 e partiu em 1918. A obra dele está em domínio público no Brasil desde 1989.
Para o altar, o terceto basta. Ele diz aos noivos que o amor dá um ouvido novo, capaz de escutar o que os outros acham tolice.
Os três versos têm dez sílabas poéticas cada, a medida chamada decassílabo, e cabem numa respiração calma. Quem lê não precisa de dicionário para nenhuma palavra do trecho, e o ponto de exclamação do primeiro verso já marca onde subir o tom.
• O tom: firme, de quem responde a uma provocação.
• O corte: só o último terceto, os três versos acima.
• O leitor: um amigo dos noivos que saiba esperar a pausa.
Na hora de ler
Pare depois de E eu vos direi.
Diga estrelas devagar, olhando para os noivos.
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