|
Emiliano David Perneta nasceu em 3 de janeiro de 1866, nos arredores de Curitiba, filho de família de sitiantes. Em 1911, publicou Ilusão, o livro que reuniu a obra de duas décadas de imprensa.
O livro abre a leitura porque deu forma de volume a um poeta que até ali existia em recorte.
|
Príncipe dos Poetas Paranaenses
|
Título conferido a Emiliano Perneta pelos escritores de Curitiba, 1911.
Perneta estudou Direito em São Paulo e se formou em 1889. Nos anos de faculdade, conviveu com os jovens que liam Baudelaire, o poeta francês de As Flores do Mal, e trouxe esse gosto de volta para o Paraná.
Antes de Ilusão, saíram dele livros curtos e folhetos: Músicas, de 1888, ainda estudante, e textos avulsos de combate. Nenhum reunia o que escreveu depois dos trinta anos.
Em Curitiba, juntou-se a Dario Vellozo, Silveira Neto e ao irmão, Júlio Perneta, no grupo da revista O Cenáculo, que circulou de 1895 a 1897. Ali o simbolismo paranaense ganhou papel e leitor.
O grupo misturava poesia com interesse por ocultismo, filosofia grega e as sociedades secretas da época. Vellozo, o mais metódico, depois ergueu em Curitiba o Templo das Musas, prédio de colunas no bairro Vale da Ordem, ainda de pé.
Trabalhou como promotor, professor e jornalista. Escrevia à noite, publicava de manhã, e o poema do dia virava embrulho de pão na semana seguinte.
Ilusão juntou sonetos e poemas longos de temas que ele repetia: a noite, o desejo, a revolta contra a vida pequena da província, a figura do poeta que não cabe na cidade.
O tom variava. Há versos de luxo e de pecado, no gosto de Baudelaire, e há versos de campo, de pinheiro e geada, que só um paranaense escreveria.
O título resume a tese do livro: a vida que se deseja é sempre ilusão, e o poeta escreve sabendo disso.
A coroação aconteceu no Passeio Público de Curitiba, em 1911. Escritores, estudantes e autoridades foram ao parque; houve discursos, música e uma coroa de louros posta na cabeça do poeta.
Príncipe era o título que a república das letras dava ao poeta mais celebrado de um lugar. Bilac seria escolhido Príncipe dos Poetas Brasileiros dois anos depois, em 1913, por votação da revista Fon-Fon.
Perneta aceitou a coroa com a ironia de quem conhecia a cidade. Seguiu morando em Curitiba e escrevendo para os jornais dela.
Na festa, recebeu a coroa diante de rapazes que tinham a metade da idade dele e o liam desde o colégio, em recortes guardados no caderno.
Ilusão saiu em tiragem pequena e virou peça rara de sebo. A obra dele está em domínio público no Brasil desde 1992.
Na hora de ler
Leia o título como um anúncio, devagar e sem ênfase.
Diga Curitiba e 1911 com a mesma calma.
|