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Finis Patriae saiu em Lisboa em 1890, poucos meses após o ultimato, assinado por Abílio Manuel Guerra Junqueiro. O título é latim e quer dizer fim da pátria.
O poema abre a leitura porque faz o país falar da própria queda, sem disfarce de vitória.
Frase atribuída a Tadeusz Kościuszko, batalha de Maciejowice, 1794.
Finis Poloniae quer dizer fim da Polônia. A tradição conta que o general polonês Tadeusz Kościuszko gritou a frase ao cair ferido diante do exército russo; ele mesmo negou depois que a tivesse dito.
A frase correu a Europa do século 19 como a fórmula do país que some do mapa. Em 1795, a Polônia foi de fato repartida entre Rússia, Prússia e Áustria.
Junqueiro trocou uma palavra e apontou a fórmula para Portugal. O leitor de 1890 entendia o recado pela capa.
O livro não traz heróis. Em versos de raiva e de luto, o poeta põe em cena um país empobrecido, governantes que se dobraram a Londres e um povo que pagou a conta sem ser ouvido.
A voz que fala é a da própria pátria, ferida e lúcida. Não pede vingança contra os ingleses; aponta para dentro, para a monarquia e para os políticos de Lisboa.
O poema circulou num país em febre. Em 31 de janeiro de 1891, militares republicanos se levantaram no Porto, e a revolta foi esmagada no mesmo dia.
A forma ajuda o tom. Junqueiro escrevia em versos longos e sonoros, de pregador, feitos para serem lidos diante de plateia; nos cafés de Lisboa e do Porto, havia quem decorasse trechos.
Antero de Quental, o poeta dos sonetos, presidiu no Porto, em 1890, a Liga Patriótica do Norte, criada como resposta ao ultimato. A raiva de Junqueiro tinha companhia na sua geração.
O choque também mudou a política. Até 1890 os republicanos eram minoria barulhenta; com o ultimato, a culpa caiu sobre a coroa, e o partido ganhou leitores e votos.
Junqueiro seguiu no tema. Em 1896 publicou Pátria, um poema dramático que leva os reis da dinastia de Bragança a julgamento, com o mesmo tom de acusação.
Os versos estão livres para citar no Brasil, porque Junqueiro partiu em 1923; a lei de direitos autorais solta a obra 70 anos após o ano da partida do autor.
Na hora de ler
Leia o título primeiro, sozinho, e só então comece o poema.
Nas passagens de acusação, fale baixo e firme, como quem depõe num tribunal.
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