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Para um casamento, a página fica com a descrição do Recife, o trecho mais citado da Prosopopeia, em que Proteu mostra o porto natural de Pernambuco.
Os quatro versos servem ao altar porque falam de um lugar onde o barco chega e pode ficar.
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Junto da nova Lusitânia ordena A natureza, mãe bem atentada, Um porto tão quieto e tão seguro, Que pera as curvas Naus serve de muro.
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Bento Teixeira, Prosopopeia, estrofe XVII, 1601.
Em prosa: perto da nova terra portuguesa, a natureza, mãe cuidadosa, arrumou um porto tão calmo e tão seguro que serve de muralha para os navios de casco curvo.
Nova Lusitânia era o nome oficial da capitania de Pernambuco. Pera é a forma antiga de para. As naus eram os navios grandes da carreira das Índias.
O recife de pedra
O muro do poema existe. Diante da costa, uma linha comprida de arrecifes de arenito corre paralela à praia e quebra as ondas antes de chegarem à terra.
Atrás dessa barreira, a água fica mansa. Ali os navios ancoravam para carregar açúcar, e dali nasceu o povoado que daria nome à cidade do Recife.
Bento Teixeira viu esse porto com os próprios olhos. A estrofe tem a precisão de quem embarcou e desembarcou ali muitas vezes.
Três séculos depois, a pedra continua no mesmo lugar. Quem caminha pelo Marco Zero do Recife na maré baixa vê a linha escura dos arrecifes fora da praia, com o farol na ponta, exatamente onde o poema a deixou.
Por que funciona no altar
No altar, o porto fala de abrigo sem dizer a palavra amor. Quem ouve entende a promessa pela paisagem: um lugar onde a tempestade fica do lado de fora.
• O corte: os quatro versos do porto.
• O tom: calmo, de quem descreve um lugar conhecido.
• O leitor: alguém do Recife, ou alguém que mora perto do mar.
A palavra atentada pede um cuidado. Hoje soa como agressão, mas em 1601 queria dizer atenta, cuidadosa. Vale explicar antes, numa frase.
Na hora de ler
Diga “tão quieto e tão seguro” devagar, com uma pausa curta entre as duas metades.
Termine em muro olhando para o casal, sem pressa de sair do verso.
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