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Diogo Bernardes nasceu em Ponte da Barca, vila à beira do rio Lima, perto de 1530 (o registro de batismo não sobreviveu e o ano exato segue incerto), e foi discípulo de Francisco de Sá de Miranda, o poeta que trouxe o soneto italiano para Portugal.
O soneto abre a leitura porque cabe nele, em quatro versos, a distância entre a mesa do rei e a cela do cativeiro.
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Horas breves de meu contentamento, Nunca me pareceu, quando vos tinha, Que vos visse mudadas tão asinha Em tão compridos anos de tormento.
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Rimas, 1595, impresso sob o nome de Luís de Camões; parte dos estudiosos atribui o soneto a Diogo Bernardes, e a autoria segue sem prova.
Asinha, no português do século XVI, quer dizer depressa. O soneto mede o tempo por dentro: as horas boas passaram rápido, e os anos ruins não acabam.
Breves abre o primeiro verso. Compridos abre o último. O quarteto inteiro cabe entre as duas palavras.
A disputa de autoria acompanhou Bernardes até depois da sepultura. No século XVII, o comentador Manuel de Faria e Sousa acusou o poeta de Ponte da Barca de publicar como seus sonetos escritos por Camões.
A acusação nunca ganhou prova documental. Os dois poetas se conheciam, trocavam versos e circulavam pelos mesmos cadernos de mão, onde o nome do autor se perdia já na segunda cópia.
Faria e Sousa tinha interesse no caso: passou a vida editando e comentando Camões, e cada soneto devolvido a outro poeta encolhia o tesouro que ele defendia.
Bernardes foi à África a convite do próprio D. Sebastião, com a tarefa de cantar a campanha. Na derrota, ficou prisioneiro como os fidalgos que a armada levara.
Cativo, ele seguiu escrevendo. Quais versos saíram da prisão, os editores não conseguem separar com segurança, porque o poeta não datava os manuscritos.
Bernardes voltou a Portugal resgatado. Quem pagou o resgate e em que ano ele foi libertado são dados que os documentos conhecidos não trazem.
Em 1580, Portugal passou ao rei Filipe II de Espanha, tio de D. Sebastião. Bernardes viveu os últimos anos sob o novo rei, e o soneto das horas breves ganhou leitura dupla: o cativeiro do poeta e o reino que perdeu o próprio rei.
Sá de Miranda, o mestre, escrevia na Quinta da Tapada, no Minho, longe da corte. Bernardes herdou dele o gosto pelo campo e a desconfiança de Lisboa.
Na hora de ler
Diga Horas breves devagar, quase parando.
Acelere em tão compridos anos e pese a última palavra, tormento.
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