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Presciliana Duarte de Almeida nasceu em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, em 1867. Em 15 de outubro de 1897, lançou em São Paulo o primeiro número de A Mensageira.
A revista abre a leitura porque juntou numa capa só poetas que até ali escreviam isoladas.
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Revista literária dedicada à mulher brasileira
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Subtítulo da capa de A Mensageira, São Paulo, 1897.
O subtítulo dizia a quem a revista servia. A circulação era quinzenal (um número a cada quinze dias), e cada número trazia poemas, contos, crônicas e artigos.
As colaboradoras vinham de longe. Júlia Lopes de Almeida, romancista do Rio de Janeiro, mandava prosa; Revocata Heloísa de Melo, que dirigia a revista Corimbo no Rio Grande do Sul, também aparecia nas páginas.
Francisca Júlia levava os sonetos de São Paulo. Zalina Rolim, poeta paulista de versos para crianças, era outra assinatura frequente.
Cada número custava pouco e chegava por assinatura, pelo correio, a leitoras de cidades pequenas. Assim uma professora do interior paulista lia, na mesma quinzena, uma poeta gaúcha e uma romancista carioca.
Os artigos discutiam a instrução da mulher. A tese repetida era simples: moça que estuda escreve melhor, cria melhor os filhos e lê o mundo com os próprios olhos.
Presciliana vivia em São Paulo casada com o primo Sílvio de Almeida, professor e estudioso da língua portuguesa. A casa do casal servia de redação, e boa parte da correspondência com as colaboradoras saía da mesa dela.
Presciliana chegou à revista já com livro. Rumorejos, de 1890, reunia os versos da juventude em Pouso Alegre; o título vem de rumorejo, o murmúrio baixo da água e das folhas.
Dentro de A Mensageira, ela assinou poemas líricos de natureza, de pássaros e de recolhimento. Escrevia com rima e metro regulares, no gosto da época, sem o tom de pedra de Francisca Júlia.
Os poemas que ela publicou na revista não ganharam reedição de fácil acesso. O caminho para lê-los é a coleção de A Mensageira guardada em bibliotecas paulistas e a edição fac-similar (cópia fotográfica, página a página) que o governo de São Paulo publicou no fim do século 20.
Sem acesso seguro a esses textos, esta edição não transcreve versos dela: cita só o que tem fonte firme.
A revista circulou até 15 de janeiro de 1900. Foram 36 números, todos com a mesma diretora.
Na hora de ler
Leia o subtítulo da capa devagar, como quem lê uma placa na porta.
Depois diga os nomes das colaboradoras, um a um, sem pressa.
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